jueves, 19 de febrero de 2009

Recife: Metrópole Brasileira



Recife é uma metrópole com mais de um milhão de habitantes, onde se encontram pessoas do nordeste e do interior do Estado de Pernambuco. Esta região tem uma grande importância pois apresenta contrastes sociais interessantes, produto de sua história.
Durante o século XVI caracterizou-se por ser um povoado de pescadores, marinheiros e comerciantes, devido a sua localização geográfica e com acesso ao mar. Até a actualidade, conhece-se-lhe como uma cidade portuária.
Precisamente, por tratar-se de um porto estratégico, a história de Recife é tão destacada: era lugar de chegada e partida, tanto de colonizadores, como de escravos e mercadorias. E é este intercâmbio de pessoas, ideias e culturas o que lhe dá à capital pernambucana suas qualidades.
Gilvan Barreto, que é fotógrafo, explica como chegam os colonizadores a fincar a cidade, depois de muitas batalhas. Mostra de seu passado são as velhas construções que se mantêm em pé. Considera à cidade com grande acervo cultural.

Ao início do século XVI, com o crescimento do comércio português também cresceu a ambição de outras nações européias. Por isso, em 1526 se cria o primeiro núcleo de ocupação permanente para exercer um maior controle no território, criando assim um porto comercial fortificado.
Seis anos depois, o rei Joao III decide dividir o território brasileiro em 15 capitanías hereditarias, que eram entregadas a proprietários particulares que exploravam por conta própria. Foi assim que a capitanía de Pernambuco, em mãos de Duarte Coelho, se converteu num porto estratégico para a coroa portuguesa devido às plantações de cana de açúcar.

O historiador Antonio Paulo Resende argumenta que nos primeiros anos foram de crescimento, enriquecimento da cidade, ainda que também entrada de estrangeiros e de invasores. Sua qualidade principal é que seu desenvolvimento se levou a cabo entre o canal e o mar.
Para os primeiros anos do século XVII, Pernambuco era a capitanía mais lucrativa, bem como a maior produtora de açúcar no mundo, sendo esta mercadoria a que acordou o interesse no estrangeiro.
Os holandeses invadem Recife e ocupam o território de 1630 a 1654, período no qual a produção azucarera cresceu, em especial durante a administração do Conde Mauricio de Nassau, ao mesmo tempo em que teve auge na urbanización. É pelo labor desta personagem, que se lhe conhecia como a cidade de Mauricio.

A arquitectura de Recife mostra as diferentes percepciones que tinham tanto portugueses como holandeses: enquanto os primeiros construíram e a colina de Olinda, os segundos procuraram ocupar a região próxima ao porto, em onde aplicaram seus conhecimentos em construção de canais e pontes.
Anos depois, os holandeses chegam às Antillas, levando consigo o método português de funcionamento dos ingenios de açúcar, abrindo assim a produção mundial do denominado ouro branco. À entrada do século XVIII, após mais de 100 anos de dominar o mercado, decae de maneira importante a produção de açúcar de Pernambuco, deixando de ser o principal negócio da zona.
Foi assim que os comerciantes portugueses procuraram se apropriar do espaço económico, dando lugar a uma época de importantes revoltas sociais. Uma das mais destacadas foi a Guerra duas Mascates (1710) que procurava a autonomia de Recife; a Batalha duas Guarapes, que foi contra os holandeses.

Mas foi a inícios do século XIX que se dão dois acontecimentos importantes na história de Recife: a revolução Pernambucana, que reivindicava a independência com relação à coroa portuguesa, e a Confederación de Equador, que se dá após a declaração de independência de Brasil e lutava contra o autoritarismo do governo de Dom Pedro I.
Recife viu nascer personagens importantes na história brasileira: Frei Caneca, que era um sacerdote da ordem carmelita que participou na Confederación, que foi condenado a morte e fuzilado publicamente. Já se viam os ideais da democracia e a forte influência da Revolução Francesa.

Como todo o território brasileiro, Recife era marcada pelo esclavismo. A população escrava era maior que aquela de homens livres, sendo trabalhadores nos portos. A escravatura urbana fomentava com força as diferenças entre a população.

Para a segunda metade do século XIX, Recife já era a terceira cidade mais importante de Brasil, com uma população de 50 mil habitantes aprox. mesma que se sustentava da agroindustria de açúcar, do sector de serviços e a exportação de algodón ao mercado europeu.
Durante este período diminui a população escrava e há uma modernização nos serviços: inauguram-se as vias férreas, o telégrafo e a telefonia manual. É uma cidade de muitos atractivos, bem como berço de grandes personalidades da cultura e história da região, como Gilberto Freyre, o geógrafo Josué de Castro, Joaquim Nabuco e Joao Cabral de Melo Neto.
Mas também tem sua parte pouco amável: a gente que vive às margens do rio viu afectada sua forma de sustento devido à degradación ambiental, mesma que os obriga a emigrar a outros lugares onde possam viver mais dignamente.
Está claro que existe uma forte relação entre sua história e o acontecer diário em Recife, sua riqueza cultural dá conta disso e mostra a fusão entre o tradicional e o moderno na cada um de seus rincões.

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