
"Deus nos dá pessoas e coisas,
para aprendermos a alegria...
Depois, retoma coisas e pessoas
para ver se já somos capazes da alegria
sozinhos...
Essa... a alegria que ele quer."
Dantes de covertirse em grande e reconhecido escritor, foi médico e diplomata. Desde menino teve grande habilidade para aprender idiomas e tinha uma grande paixão pelos animais. O mundo intelectual no que se criou lhe permitiu criar e plasmar a vida do sertão. Sua obra reflete o mundo do sertón, povoado por vacas, cavalos e vaqueiros, unidos pela magia de sua linguagem.
Nasce em Cordisburgo, Minas Gerais, o 27 de junho de 1908. Foi o primeiro de 6 filhos, sendo seu pai Florduardo Pinto Rosa e sua mãe Dona Francisca Guimarães Rosa, cujo apelido era a Chiquitinha. O recorda que sua infância foi boa, rodeado sempre de adultos intelectuais. Recordava a seu pai como um homem vigoroso, ao que lhe gritava quando o via chegar a casa pelo caminho.
Imaginava a vida do jagunço (nome que se dá, no Nordeste do Brasil, ao indivíduo que, usando de armas, prestava-se ao trabalho paramilitar de proteção e segurança aos líderes políticos) em suas histórias, poemas e romances, incorporando a seus conhecidos como personagens.

Aos 6 anos, Joãozito, como era chamado, já lia em francês e depois aprendeu holandês. Em 1918 seu avô leva-lho a Belo Horizonte para que continuasse seus estudos. No Colégio Arnaldo cursó seus primeiros estudos junto com outras celebridades. A instituição era de origem alemão, pelo que aprendeu o idioma. Era um ávido leitor e visitava as bibliotecas da cidade. Sua habilidade para os idiomas facilitou-lhe seus estudos em Medicina. Seu irmão José Luiz recorda que traduzia os livros que seus colegas traziam de Alemanha, Inglaterra e estudava com eles.
Titula-se em 1930 e casa-se com Ligia Cabral Penna, de 16 anos. Com ela procrea suas duas únicas filhas: Vilma e Agnes. Começa a exercer a medicina sem sucesso, pelo que decide se mudar a Itaguara, que se encontra ao interior de Minas Gerais.

Foi ele quem levou a cabo a interiorização da medicina, numa época em onde não se conhecia na região. Sua filha Vilma conta que seu pai tomou um mapa e elegeu um lugar em Minas onde não tivesse médico, sendo um pioneiro. Foi muito respeitado como o famoso Dr. Rosa. Ao mesmo tempo, observa-se a grande sensibilidade que caracterizá-lo-ia toda sua vida.
Sua experiência no interior permitiu-lhe conhecer o essencial do ser humano que habitava ali: aproximou-se a seus vivencias e emoções, que posteriormente servir-lhe-iam como inspiração para construir suas personagens literárias.
Mas sua vida como médico lhe gerava impotencia pois via que era incapaz de acabar com o sofrimento humano. Decide abandonar de maneira definitiva a medicina e entra em concurso an Itamaraty, Rio de Janeiro, em onde começa uma carreira brilhante na diplomacia, realizando muitos viagens ao exterior.

Em 1938 é nomeado Cónsul Adjunto em Hamburgo e viaja pela primeira vez a Europa. Aí conhece a sua egunda esposa, Aracy Carvalho. Sua presença como diplomático foi muito interessante, já que junto com sua esposa, durante a Segunda Guerra Mundial, ajudaram a sair do país a muitos judeus, que conseguiram chegar sãos e salvos a Israel. Em reconhecimento a essa atitude, o diplomata e sua mulher foram homenageados em Israel, em abril de 1985, com a mais alta distinção que os judeus prestam a estrangeiros: o nome do casal foi dado a um bosque que fica ao longo das encostas que dão acesso a Jerusalém.

Em 1946 publica seu primeiro livro, "Sagarana". Tem grandes contos e histórias interessantes. Através do sertão, entra no coração selvagem da língua. Incorpora a linguagem culto no falar popular. Outro recurso técnico é que desenvolve a sensação de que a língua é algo que está em permanente construção. Tem um aspecto regional, local, sertanjero; é uma transfiguração da erudito, que somado a seu conhecimento de idiomas, consegue criar uma química da linguagem.
De 1948-1950 esteve em Paris como Primeiro Secretário Conselheiro da Embaixada. Chegou um momento em que decidiu deixar a diplomacia e se dedicar a escrever.
Guimarães Rosa viaja por sua terra brasileira pesquisando todo seu meio: flora, fauna, usos e costumes, linguagens, crenças, superstições e canções. Daí toma os elementos para a criação; ele como ninguém penetrou nas particularidades. Dizia-lhe a sua filha Vilma que sua inspiração podia ser comparada com um estado de trance.
Dez anos depois,sua segunda obra viu a luz (1956): "Corpo de Baile", que foi dividida em três: "Manuelzão e Miguilim", "Não Urubùquaquá não pinhém" e "Noites do Sertão".

No mesmo ano publica-se "Grande Sertão: Veredas", dedicado a sua esposa Aracy. É um livro dinâmico, com vários ritmos e que mostra um extranhamento pela linguagem que emprega. O título da obra chamou muito a atenção da crítica pelo código linguístico usado pelo autor, já que é um título explicativo, qualificativo. É uma montagem em contraste onde dois universos da linguagem se observam: por um lado, o grande discurso elocuente e pelo outro o fala humilde das pessoas que morrem no sertão. No título está condensado o retrato de Brasil.
Podem-se fazer múltiplas leituras da obra. Trata-se de um longo e denso monólogo do jagunço, em onde se encontram diversos elementos. Os temas principais são: o próprio sertão, o pacto com o diabo, o jaguncagem, a história de amor e o povo.
Seu protagonista, Riobaldo, e sua história de amor prohibído por Diadorim representa o impossível. É ele mesmo quem conta sua história a alguém. Esse interlocutor pode ser o leitor do livro, ou uma pessoa que trata de ajudar a Riobaldo a encontrar um caminho para seus problemas.
Esse foi o repto para a sociedade culta brasileira: toparse com uma realidade que tolerava, mas que neste livro parecesse tão vívida e que como interlocutor, fazia parte dela.

Na última página da romance põe o símbolo de infinito, que significa que a história de Riobaldo se fecha, mas a história do leitor, do mundo continua.
Ele se considerava um reaccionario da palavra, pois procurava o primitivismo das palavras, o momento inicial no que a linguagem e as coisas tinham uma relação mais proxima. Era um homem de biblioteca, o qual foi perjudicial para sua saúde pois passava horas sentado, não fazia exercício e fumava muito. Ele queria escrever como se fosse sua missão a cumprir. Precisava escrever a cada vez mais. Em 1962 publica "Primeiras Estórias".
Em maio de 1963 candidata-se por segunda vez à Academia de Letras Brasileira, na vaga deixada por João Neves da Fontoura. Foi eleito por unanimidade, mas não é marcada a data da posse.
Em 1967 publica sua última obra, "Tutaméia. Terceiras Estórias", que era uma série de contos e é considerado como testamento literário do autor.
A quatro anos de sua candidatura, o 16 de novembro de 1967, converte-se em membro da Academia. Em seu discurso de posse pronunciou sua famosa frase: "O mundo é mágico. As pessoas não morrem, elas ficam encantadas".
Três dias depois, a noite do 19 de novembro de 1967, morre em Copacabana, de 59 anos e 20 como escritor.
" Penso que chega um momento na vida da gente em que o
único dever é lutar ferozmente por introduzir no topo
de cada dia, o máximo da eternidade..."
João Guimarães Rosa
http://www.releituras.com/guimarosa_bio.asp
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